Choradeira de Nuvens
Os clarões no horizonte ciscam o
céu coberto de nuvens querendo chover.
Ciscam e riscam os ares os
morcegos moradores no beiral.
A fonte canta poesias para as
árvores molhadas, que nuas debaixo da chuva, como ao mundo vieram, dançam bailarinamente,
ao sabor da leve e gostosa brisa pós-chuvas.
Ando e sinto o ar fresco.
Só me aborrece o som de veículos
em movimento no asfalto, nem muito perto e nem muito longe.
Ando!
Por aqui já andei muito, refiz
trajetos pensando em coisas que já se foram e em coisas que poderão vir.
A grama brilhante, calma, quieta,
abriga cricris e vidinhas que se riem de tanto esforço meu.
Mudei este espaço em constante mudança,
queira eu ou não.
Aceito o convite e sento na beira
da roda de fogo, amiga de poucos fogos.
Recordo-me de dias que ali muito
riso se ouviu, com frios e calor, brigando para entreter.
Quem esteve se foi. Não volta mais.
Nunca mais.
Segue a vida a passos de... sei lá
eu..., talvez de “burro quando foge”.
No fundo a coruja rouca,
rouquenha.
O sapo gordo, grande e empelotado
cisca gordos mosquitinhos. Se ele engolir um vagalume será que ficará alumiado?
Silêncio forante os desgraçados
barulhos da estrada, tudo tá quieto, até os “marditos do fundão”!
Levanto os olhos e vejo nuvens
iluminadas por uma Lua escondida, que talvez aguarde a choradeira das nuvens
recomeçar nesta amável noite de verão.
Começa a pingar.
Dormir com choradeira de nuvens é
bom!
Aloísio Fernando

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