quinta-feira, 30 de abril de 2020



Choradeira de Nuvens

Os clarões no horizonte ciscam o céu coberto de nuvens querendo chover.
Ciscam e riscam os ares os morcegos moradores no beiral.
A fonte canta poesias para as árvores molhadas, que nuas debaixo da chuva, como ao mundo vieram, dançam bailarinamente, ao sabor da leve e gostosa brisa pós-chuvas.
Ando e sinto o ar fresco.
Só me aborrece o som de veículos em movimento no asfalto, nem muito perto e nem muito longe.
Ando!
Por aqui já andei muito, refiz trajetos pensando em coisas que já se foram e em coisas que poderão vir.
A grama brilhante, calma, quieta, abriga cricris e vidinhas que se riem de tanto esforço meu.
Mudei este espaço em constante mudança, queira eu ou não.
Aceito o convite e sento na beira da roda de fogo, amiga de poucos fogos.
Recordo-me de dias que ali muito riso se ouviu, com frios e calor, brigando para entreter.
Quem esteve se foi. Não volta mais. Nunca mais.
Segue a vida a passos de... sei lá eu..., talvez de “burro quando foge”.
No fundo a coruja rouca, rouquenha.
O sapo gordo, grande e empelotado cisca gordos mosquitinhos. Se ele engolir um vagalume será que ficará alumiado?
Silêncio forante os desgraçados barulhos da estrada, tudo tá quieto, até os “marditos do fundão”!
Levanto os olhos e vejo nuvens iluminadas por uma Lua escondida, que talvez aguarde a choradeira das nuvens recomeçar nesta amável noite de verão.
Começa a pingar.
Dormir com choradeira de nuvens é bom!
                                                                                                       Aloísio Fernando

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