Ao longe a ira da tempestade se faz ouvir.Que chega como as Fúrias,tomando para si os espaços,
dardejando raios incandescentes ao som do rufar dos trovões em sincronismo quase marcial.
Precedida do Vento é depois acompanhada dos uivos,
que por entre o arvoredo torturado,sibilam ameaças,aumentando o palco caótico ao redor.
Calam os pássaros refugiados no arvoredo torturado,
quase arrancado não fossem poderosas ancoras fincadas na terra molhada!
Duram minutos eternos o banho da terra,que,
umedecida pelos céus compadecidos,
renova seu útero benfazejo.
A tarde vai morrendo e o espetáculo é mais intenso na escura mortalha da noite,
que cobre campos e vilarejos,
iluminada com os fogos olímpicos a correr na festa dos elementos.
Não cessa o ribombar zangado dos trovões!
Ameaçam os abrigados e riem dos refugiados.
Demora mas...aos poucos a insana fúria cede contrariada.
Seus gritos vão perdendo a sinistra rouquidão.
O Vento já sopra distante.
Já não se ouve os tambores celestes.
A água já não lava os batentes.
Pássaros deixam os abrigos para,
sentir o manso rescaldo que lhes oferece o frescor imaginado
e lhes tira o pó de mais um dia que se foi.
Cai a noite e é a vez do sibilar dos morcegos a preencher os vazios escuros,
nesta noite sem Lua,sem estrelas,pondo medo nas mentes obscuras.
A terra molhada adormece quieta,quente,morna,fertilizada,
berço tépido de novas promessas para amanhã.
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